Arquitetura de Curitiba: quatro marcos, do Castelo do Batel ao KAÁ
Castelo do Batel (1924), Ópera de Arame (1992), Casa da Pedreira (2014) e KAÁ (2026): quatro prédios que mostram como Curitiba constrói.

O Castelo do Batel foi erguido em 1924, num terreno de mais de 17 mil m². A Ópera de Arame abriu em 1992, dentro de uma pedreira desativada. A Casa da Pedreira ficou pronta em 2014, em Santa Felicidade. O KAÁ foi entregue em 2026, em frente ao Bosque da Copel. Quatro prédios, quase um século de distância entre o primeiro e o último, e uma pergunta em comum: o que fazer com o terreno que se tem.
Castelo do Batel, 1924

Um dos cartões-postais da cidade, o Castelo do Batel mistura referências de castelos franceses, arquitetura alemã e traços neoclássicos e barrocos. Tem janelas em arco, torres, escadarias, pátios internos, salões e jardins com fontes. Por dentro, usa mármore, pedra, tijolo maciço e madeira. Do lado de fora há uma capela em estilo neogótico.
O terreno de mais de 17 mil m² fica numa das regiões mais valorizadas de Curitiba. Hoje o castelo recebe eventos sociais e corporativos, com a arquitetura original preservada. É o exemplo mais claro de que o Batel já era endereço de casa grande muito antes dos prédios.
Ópera de Arame, 1992
A Ópera de Arame foi construída com tubos de aço e arame, em formato circular, no meio de uma pedreira desativada. A cobertura é translúcida e deixa a luz do dia entrar. As paredes de vidro abrem a vista para o lago e para a mata em volta, e a madeira aparece no interior.
O projeto aproveitou o buraco deixado pela mineração em vez de aterrá-lo. Essa escolha virou uma marca da cidade: transformar pedreira em lugar de uso público.
Casa da Pedreira, 2014
Em Santa Felicidade, a Casa da Pedreira, do arquiteto Marcos Bertoldi, foi premiada na Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires de 2015. São dois blocos sobrepostos, ligados por uma escada externa. Embaixo ficam salas e cozinha. Em cima, os quartos.
Madeira, vidro e concreto encaixam a casa na pedreira que já existia no terreno. A piscina de borda infinita olha para a região, e um jardim suspenso no telhado faz da cobertura um lugar de estar.
KAÁ, 2026
O KAÁ ocupa 1 hectare na Rua Frederico Cantarelli, 831, no Bigorrilho, em frente ao Bosque da Copel. É o primeiro projeto do escritório Bernardes Arquitetura em Curitiba. As 48 residências se distribuem em 6 pavimentos escalonados, de 181 a 1.043 m², em volta de uma praça central arborizada de cerca de 3.500 m².
O escalonamento responde ao terreno, e os terraços abrem as casas para o bosque. Foi anunciado como o primeiro residencial do Paraná a buscar as certificações LEED e WELL ao mesmo tempo.
O que os quatro têm em comum
Nenhum deles ignora o chão onde está. O castelo ocupa um terreno grande com jardins. A Ópera e a Casa da Pedreira nasceram de pedreiras. O KAÁ desce em degraus diante de uma mata. A arquitetura de Curitiba que fica é a que conversa com o terreno.
Mais sobre o KAÁ em KAÁ.


