Ciclovias em Curitiba: o plano de 2019 para somar 200 km até 2025
Em 2019, Curitiba tinha 208,5 km de estrutura cicloviária e planejava somar cerca de 200 km até 2025. O que o plano previa.
Em maio de 2019, Curitiba tinha 208,5 km de estrutura cicloviária, o equivalente a 4,34% de toda a malha viária da cidade. O plano anunciado pela prefeitura naquele ano previa somar cerca de 200 km até 2025, quase dobrando o que existia.
A meta fazia parte do Plano de Estrutura Cicloviária, e o ponto central dele era a integração. A bicicleta entrava como parte da rede de transporte, ligada ao ônibus e aos outros modais, e não como lazer de fim de semana. É o que o plano chamava de intermobilidade: sair de casa pedalando e trocar de meio de transporte no caminho, sem que a bicicleta vire um problema.
A primeira etapa
A primeira fase, prevista para começar ainda em 2019, criaria mais de 28,8 km de vias para bicicletas, um aumento de cerca de 14% sobre a malha da época. As novas ligações partiam de dois eixos de transporte, a Avenida República Argentina e a Rua Padre Anchieta, em direção a universidades e a lugares de grande circulação de pessoas.
Concluída essa etapa, as vias para bicicleta passariam a ocupar 4,93% da malha urbana. O número ficava perto dos 5% sugeridos pela legislação que determina a construção de ciclovias e ciclofaixas integradas ao transporte coletivo.
Seis tipos de estrutura
O plano não se resumia à ciclovia separada da pista. Ele previa seis soluções diferentes:
- ciclovias;
- ciclofaixas;
- ciclofaixas sobre a calçada;
- vias compartilhadas;
- ciclorrotas;
- passeios compartilhados.
A variedade tem razão prática. Uma avenida larga comporta uma ciclovia segregada. Uma rua estreita de bairro, muitas vezes, só aceita sinalização e convivência entre carro e bicicleta. Num plano para a cidade inteira, cada trecho pede uma resposta.
A outra ponta da viagem
A bicicleta só vira transporte diário quando funciona nas duas pontas do trajeto: na rua e em casa. Sem lugar para guardar, sem tomada para recarregar, ela fica no fundo da garagem.
Em 2019, a Laguna já oferecia bicicletas de uso comum aos condôminos do MAI Home, no Ecoville, e dos comerciais MAI Work e BBC. Para o ALMÁA Cabral e o MAI Terraces, então em obras, o projeto previa o mesmo benefício e mais um: ponto de recarga gratuito para bicicletas elétricas.
O MAI Terraces, em frente ao Parque Barigui, foi entregue em abril de 2023. O projeto previa três bicicletas elétricas e sete comuns para uso compartilhado, além de tomadas para recarga. No ALMÁA Cabral, entregue em 2022, o projeto incluiu tomada para recarga de bicicleta elétrica, e a energia solar gerada no próprio prédio foi dimensionada para abastecer todas as vagas de carro elétrico.
O TREVI Batel, em obras na Rua Hermes Fontes, 597, com entrega prevista para 2026, leva a ideia adiante: bicicletário com mais de 40 vagas, bicicletas elétricas compartilhadas, carregamento de e-bikes, box de lavagem, oficina e lockers.
Por que a elétrica pesa
O texto de 2019 já apontava a popularização da bicicleta elétrica como o motor da mudança nos grandes centros. Ela reduz o esforço e aumenta a distância que uma pessoa aceita pedalar no dia a dia, o que coloca mais trajetos ao alcance de quem antes só ia de carro. Por isso a recarga precisa estar no prédio, perto da vaga, e não depender de improviso.
Em 2019, a meta era chegar a 2025 com perto de 400 km de estrutura cicloviária. Metade do caminho estava na rua. A outra metade, na garagem.


