A arquitetura do KAÁ em quatro decisões de projeto
Praça de 3.500 m², residências escalonadas, terraços com piscina e espaço de bem-estar: as quatro decisões da Bernardes Arquitetura no KAÁ.

O KAÁ ocupa um terreno de 1 hectare no Bigorrilho, em frente ao Bosque da Copel, e foi o primeiro projeto do escritório Bernardes Arquitetura em Curitiba. São 48 unidades em 6 pavimentos. O nome vem do tupi-guarani e quer dizer "mata" ou "folha".
Costuma-se chamar de tendência o que, num bom projeto, é só resposta ao terreno. No KAÁ, quatro decisões explicam o prédio.
1. A casa e a paisagem como uma coisa só
A primeira decisão foi não esconder o terreno. No centro do conjunto há uma praça descoberta e arborizada de cerca de 3.500 m², em formato de C, e o prédio se organiza em volta dela. A vegetação sobe por todos os pavimentos, com plantas nativas e espécies adaptadas a Curitiba.
Nas áreas comuns, caixilhos de alumínio e vidro mantêm o jardim à vista o tempo todo. Já no hall social, o ambiente é amplo, iluminado e feito de elementos naturais: madeira, plantas, pedra. Integrar casa e paisagem, aqui, é uma questão de onde se olha e do que se toca.
2. Residências suspensas, em degraus
A segunda decisão foi escalonar. Em vez de uma torre, o KAÁ tem volumes que recuam andar a andar, acompanhando a topografia irregular do terreno. Cada recuo abre um terraço, e cada unidade ganha luz, ventilação cruzada e vista para a mata.
O resultado são residências com o espaço de uma casa e a rotina de um apartamento: residências jardim duplex no nível do chão, residências suspensas, uma residência suspensa duplex, residências terraço e coberturas duplex, de 181 m² a 1.043 m².

3. Bem-estar como critério de projeto
A terceira decisão foi tratar a saúde de quem mora como requisito técnico. O KAÁ foi anunciado como o primeiro residencial do Paraná a buscar ao mesmo tempo as certificações LEED e WELL, e o WELL mede justamente o efeito do edifício sobre as pessoas: ar, água, luz, conforto térmico, som, movimento, mente.
Na prática, isso virou espaço. A praça superior tem lounges para leitura e meditação entre as árvores. O Espaço Saúde e Bem-estar tem sauna e sala de massagem. O salão de festas usa madeira, plantas e pedras.

4. O terraço de volta à cena
A quarta decisão retoma um elemento caro ao modernismo de Le Corbusier: o terraço como lugar de estar. No KAÁ, as residências terraço têm de 425 m² a 667 m², com terraço, piscina privativa e vista para o Bosque da Copel.
Dentro, luz natural e ar puro. Fora, a mata. É o tipo de unidade que só existe porque o prédio foi escalonado. A decisão 4 depende da 2, que depende da 1.

O que liga as quatro
Nenhuma dessas escolhas é um acessório. A praça define a implantação, o escalonamento define as plantas, o critério de bem-estar define os espaços comuns e os terraços saem do escalonamento. Tirar qualquer uma desmonta as outras.
Mais sobre o prédio em KAÁ.


