Brasilidade nos interiores do KAÁ: madeira, palha e espécies nativas
Do nome em tupi-guarani ao forro de madeira dos halls e às espécies nativas em todos os andares: como a brasilidade entra nos interiores do KAÁ.

KAÁ é uma palavra do tupi-guarani que quer dizer "mata" ou "folha". O nome do residencial da Laguna no Bigorrilho, projetado pela Bernardes Arquitetura, já diz de onde vêm as referências do projeto: da natureza brasileira, das suas formas e dos seus tons.
Brasilidade virou palavra fácil em decoração. Para não ficar só no rótulo, vale olhar onde ela aparece de fato no prédio.
Madeira, do forro ao piso
Nos halls sociais, o forro é de madeira, combinado com porcelanato e folhagens. Nas residências, os quartos e as áreas sociais têm piso de madeira engenheirada, que aquece visualmente o ambiente e eleva a qualidade ambiental das unidades.
A madeira é o material que mais aproxima a casa da mata em frente. No KAÁ, ela está onde a mão e o pé encostam.
Fibra natural e trabalho manual
No decorado do KAÁ, montado em 2023 na Galeria Laguna, uma das peças centrais foi a luminária de piso Genius Loci, da designer Nicole Tomazi. A cúpula é de palha natural de trigo, feita à mão. A luz sai difusa, filtrada pela trama.
A peça carrega um saber artesanal passado de geração a geração e o trabalho de pequenos produtores de fibras naturais. É a brasilidade como ofício.
O decorado reunia também uma tela de Gonçalo Ivo. Na versão de 2024, assinada pela BST Arquitetura, entrou o pendente Canoa, de Ana Neute.
Cor da terra e da água
Na brinquedoteca do KAÁ, as cores são azul, verde e amarelo, nos interiores e no mobiliário, sobre a madeira de tom quente. Na piscina coberta, os tons terrosos fazem contraste com o azul da água e o verde do paisagismo.
A paleta não depende da bandeira. Os tons de terra, de mata e de água bastam para dizer onde a casa está.

Espécies nativas em todos os andares
O paisagismo do KAÁ é do escritório Tagu, de Maurício Soares Alito e Paula Sangeon Herglotz. Usa espécies nativas e outras adaptadas a Curitiba, presentes em todos os pavimentos e nas áreas externas.
O projeto de interiores, de Camila Tariki, da Bernardes Arquitetura, parte da vista. Preserva a praça ajardinada em formato de C no centro do conjunto, com cerca de 3.500 m², e usa caixilhos de alumínio e vidro nas áreas comuns para enquadrar o jardim como uma tela viva, que muda com a estação.
Sol
O sol é parte da memória afetiva do país, e dar lugar a ele dentro de casa é outra forma de brasilidade. O KAÁ foi orientado a partir de cálculos de insolação, para que a luz natural entre de forma contínua nas unidades e nas áreas comuns. O projeto lumínico é do Studio Regina Bruni.
O que fica
Tirando os rótulos, sobra uma lista concreta: madeira no forro e no piso, fibra natural feita à mão, cores de terra e de mata, espécies nativas em todos os andares e sol calculado. É isso que faz o KAÁ parecer de algum lugar.
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