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Arquitetura Laguna: o terreno, a simulação e o material

Do desnível do KAÁ à araucária do ZAHI, a arquitetura da Laguna parte do terreno, passa por simulação de desempenho e termina no material.

Arquitetura Laguna: o terreno, a simulação e o material

Em outubro de 2025, no Dia Mundial da Arquitetura, a Laguna tinha quase 30 anos e 16 empreendimentos entregues. Olhando para esse conjunto, o método se repete: o projeto começa no terreno, passa por simulação de desempenho e termina na escolha do material.

Primeiro, o terreno

Átrio do Trevi Batel visto de baixo, com palmeiras e varandas

Antes do desenho, cada projeto parte de uma leitura do lugar: topografia, sol, vento, vista e vegetação existente.

O KAÁ ocupa um terreno de esquina, de 1 hectare e com desnível, no Bigorrilho. Em vez de aplainar o relevo, o projeto da Bernardes Arquitetura, o primeiro do escritório em Curitiba, escalonou os volumes, criou jardins suspensos e deixou no meio uma praça-jardim com mais de 3.500 m².

Em três prédios, a peça principal do terreno era uma araucária. O PINAH preservou um bosque delas e organizou em volta o lounge externo ao lado do espelho d'água e o caminho sombreado até a entrada. No ROC Batel, a araucária ficou no centro da implantação, com recuos e áreas abertas para que seja vista de dentro e da rua. No ZAHI Taunay, uma araucária centenária na entrada do terreno definiu a orientação do prédio.

Deck com espreguiçadeiras e araucária ao lado do espelho d'água do ZAHI Taunay

"A visita ao local foi essencial para entendermos como a árvore influenciaria na orientação solar, nas vistas e na implantação do edifício", disse o arquiteto Thiago Bernardes.

Depois, a simulação

Spa do VAZ Batel com piscina e cascata de fundo

Conforto, para a Laguna, é desempenho que se mede. Ainda no projeto, simulações em computador orientam a escolha de esquadrias, vidros, materiais e sistemas de ventilação, e a posição do prédio em relação à luz natural. A Laguna é membro do IWBI, o International WELL Building Institute.

No AMPIO, essas análises definiram desde a implantação até a fachada. O estudo de insolação mostrou onde abrir e onde proteger, e daí saíram os brises fixos e móveis, que barram o sol direto, dão privacidade e deixam o morador controlar a luz.

Fachada com brises de madeira do ÁMPIO e carros na rua

No TREVI Batel, em obras na Rua Hermes Fontes, a solução foi um átrio no centro das duas torres, um vazio vertical que traz ventilação cruzada e luz natural. No BIOOS Home, no Alto da Glória, o estudo de projeto indicou conforto térmico em mais de 90% das horas do ano, com menos necessidade de ar-condicionado.

O método vem de antes. O LLUM Batel foi o primeiro residencial do Brasil a receber a pré-certificação LEED nível Gold. O Iguaçu 2820, edifício corporativo da Laguna, combina vidros de controle solar e ventilação natural para manter a temperatura estável ao longo do ano.

Por fim, o material

Área de convivência do ALMAA com sofás e jardim

A escolha de material segue critério técnico, ambiental e sensorial: madeira natural, mármore, texturas minerais, superfícies contínuas, com manutenção fácil e vida longa.

Janelas grandes com sombras e floreira de folhagens, em ambiente da Laguna

A Galeria Laguna, projeto do Estúdio 41 com mais de 1.000 m² na Avenida do Batel, é o exemplo mais visível. A fachada usa vidro acidato e policarbonato alveolar da israelense Danpal, que deixa o prédio translúcido e aproveita melhor a luz do dia. Em 2024, a Galeria recebeu o iF Design Award.

No PINAH, o piso é de madeira engenheirada e as suítes têm mármore branco. No ALMÁA Cabral, revestimentos minerais com paginação alinhada. No ZAHI, as paredes internas são de drywall, que dá mais precisão de execução, melhora o conforto acústico e térmico, gera menos resíduo e acrescenta de 3% a 4% de área útil, cerca de 9 m² num apartamento de 241 m².

A assinatura

Cada prédio tem conceito e linguagem próprios, com escritórios como a Bernardes Arquitetura no KAÁ e no ZAHI. Algumas áreas comuns recebem obras com curadoria da Galeria Zilda Fraletti e da Galeria Simões de Assis.

O resultado não tem fórmula visual. O que se repete é a ordem: terreno, conta, material.

Veja os prédios entregues em Entregues e os números em Performance.

Outubro de 2025Todos os posts
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