Biofilia na arquitetura: o bosque de araucárias do PINAH
No PINAH, cerca de um terço do terreno virou bosque, com 13 araucárias preservadas. Como a biofilia entra na arquitetura de um prédio da Laguna.

No PINAH, na Alameda Presidente Taunay, no Bigorrilho, cerca de um terço do terreno de 3.000 m² foi transformado em bosque, com 13 araucárias preservadas. O próprio nome do prédio vem da pinha, o fruto da araucária. É o exemplo mais direto de biofilia aplicada que a Laguna tem.
O que é biofilia

A palavra vem do grego: bios, vida, e philia, amor ou inclinação. O conceito foi popularizado pelo biólogo Edward Osborne Wilson nos anos 1980 para descrever a atração inata do ser humano pelos seres vivos e pelos processos da natureza.
Stephen Kellert, professor de ecologia da Universidade de Yale, levou a ideia para a arquitetura. Para ele, a inclinação humana a se relacionar com sistemas naturais é fundamental para a saúde física e mental. Na prática, projeto biofílico é aquele que traz para o ambiente construído o que o corpo reconhece da natureza: água, luz, plantas, madeira.
A certificação WELL, que avalia o prédio pelo efeito na saúde de quem o ocupa, considera esse contato. O PINAH foi o primeiro residencial do Brasil a obter a pré-certificação WELL, em 2020.
O bosque como ponto de partida
O paisagismo do PINAH é de Felipe Reichmann. O projeto não se limitou a manter as araucárias que já estavam ali. Ao redor delas foram plantadas árvores nativas frutíferas, escolhidas para atrair aves como a gralha-azul, beija-flores e tucanos.
"Tiramos partido de um grande espaço, composto por belíssimas araucárias. Nossa intenção é transformar parte do PINAH num verdadeiro bosque com a introdução de espécies características da Mata de Araucária que atraiam principalmente a avifauna", disse Reichmann.
O bosque ocupa cerca de 1.000 m². Num bairro adensado como o Bigorrilho, a 3 km do centro, é uma área que não se recupera depois que vira subsolo.
A casa aberta para o verde
A arquitetura, do escritório Baggio Schiavon, trabalha na mesma direção. "Na arquitetura deste projeto, buscamos integrar os espaços fechados aos espaços abertos com a utilização de muito vidro, varandas e implantação de áreas verdes. Não só do bosque, mas nas sacadas e terraços", explicou Flavio Schiavon.
O terreno elevado deixa os apartamentos quase 4 metros acima do nível da rua. Segundo Schiavon, a elevação garante mais privacidade às residências.
Os elementos da biofilia no prédio
Os quatro elementos clássicos do projeto biofílico aparecem no PINAH de forma concreta:
- Plantas: o bosque, o plantio de nativas, a horta e o pomar com alimentos livres de agrotóxicos;
- Água: o Deck Corpo e Mente tem piscina aquecida, spa e queda d'água;
- Luz natural: vidro e varandas para levar a luz até o interior das residências;
- Madeira: madeira engenheirada entre os materiais de acabamento.
O bosque também é da cidade
Antes mesmo do lançamento do prédio, a Laguna abriu ao público o Jardim PINAH, inaugurado em 17 de outubro de 2020 na Alameda Presidente Taunay, 680. "O terreno tem uma natureza e um clima ímpares. Por que não oferecer esse espaço para outras pessoas vivenciarem a experiência PINAH?", disse André Marin, diretor de incorporação da Laguna, na época.
A biofilia, ali, começou pelo que não se derrubou: 13 araucárias que continuam de pé.
Mais sobre o prédio em PINAH e sobre o selo em Certificação WELL.


