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Design passivo: como o AMPIO usa o sol a seu favor

No AMPIO, no Bigorrilho, uma torre olha para o nascente e outra para o poente; brises e esquadrias cortam 41% das emissões de gases de efeito estufa.

Design passivo: como o AMPIO usa o sol a seu favor

O AMPIO, na esquina da Rua Euclides da Cunha com a Rua José Domakoski, no Bigorrilho, tem duas torres desenhadas pela posição do sol. A Sole fica a leste, voltada para o nascente. A Luna fica a oeste, voltada para o poente. Com brises e esquadrias de alto desempenho, o projeto reduz em 41% as emissões de gases de efeito estufa.

O que é design passivo

Terraço coberto do Kaa com mesa de jantar e poltrona amarela

Design passivo é a arquitetura que aquece, refresca e ilumina usando o clima do lugar antes de ligar qualquer aparelho. O conceito se firmou na Alemanha em 1990. Lá, casas que adotaram essas estratégias reduziram em até 40% o uso de climatização artificial.

O método começa pelo terreno: posição em relação ao sol, direção dos ventos, microclima. Só depois vem a forma.

As quatro ferramentas

Salão amplo com mesa longa e sofás diante de janelas panorâmicas ao entardecer

Ventilação. Na ventilação cruzada, aberturas em paredes opostas ou adjacentes fazem o ar atravessar o ambiente e renovar a temperatura. Em prédios altos, o efeito chaminé leva o ar quente para cima e puxa ar fresco por baixo.

Sol. A orientação define quanto calor entra. No hemisfério sul, janelas grandes voltadas para o norte recebem mais luz solar. Fachadas ao sul pedem aberturas menores.

Massa e cor. Concreto, pedra e tijolo absorvem calor de dia e o devolvem à noite. Superfícies escuras esquentam mais que as claras.

Sombra. Elementos horizontais e brises controlam quanto sol entra, sem fechar a vista.

O sol como planta baixa

No AMPIO, o projeto de Ricardo Amaral transformou a orientação em conceito. São 30 residências, de 130 a 429 m², em duas torres de 6 pavimentos implantadas no ponto mais alto da rua. Quem mora na Sole recebe a manhã. Quem mora na Luna acompanha o fim da tarde.

A Sole reúne 10 unidades, com apartamentos de 217 m² e coberturas de 429 m². A Luna tem 20, de 130 a 340 m².

A fachada combina brises fixos e móveis, sobre materiais aparentes: madeira, alumínio e cimento. Os fixos fazem a sombra que o desenho previu. Os móveis ficam na mão do morador, que regula a luz conforme a hora e a estação. As esquadrias vão do piso ao teto, com vidros laminados ou insulados, e o isolamento inclui paredes duplas em drywall, manta acústica nas lajes e kit silenzia nas portas.

O número que sai disso

A consultoria de conforto, energia e bem-estar foi da Petinelli. A soma de orientação, sombra e envoltória levou à redução de 41% nas emissões de gases de efeito estufa. O prédio tem certificação GBC Condomínio nível Ouro.

O AMPIO foi entregue em 10 de dezembro de 2024. O sol nasce do lado da Sole e se põe do lado da Luna, como o projeto previu.

Veja o prédio em AMPIO.

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