Economia circular na arquitetura: o que o LLUM Batel aplicou
No LLUM Batel, 75% dos resíduos da obra foram para reciclagem ou reúso. O que é economia circular na arquitetura e como ela entra num prédio.

No canteiro do LLUM Batel, na Avenida Visconde de Guarapuava, 5345, 75% dos resíduos da obra foram redirecionados para reciclagem ou reúso. Em 2021, já entregue, o prédio da Laguna venceu o LEED Homes Awards, do USGBC. Os dois fatos ajudam a explicar o que é, na prática, economia circular na arquitetura.
Da linha ao círculo

O modelo linear de produção extrai, fabrica, usa e descarta. A economia circular troca a linha por um ciclo: considera a vida útil de cada recurso desde o começo e planeja o que acontece com ele depois do uso.
O modelo se apoia em três fundamentos: regenerar sistemas naturais, reduzir a poluição e o desperdício e manter materiais e produtos em uso pelo maior tempo possível. Tem parentesco com os "Rs" de reduzir, reutilizar e reciclar, mas vai além deles, porque busca separar a atividade econômica do consumo de recursos finitos e gerar valor social e natural, não só financeiro.
Como ela entra num prédio
Na construção civil, a economia circular aparece em várias frentes.
Remanufatura. Reconstruir um produto a partir do original. Resíduos de alumínio, telhas e tijolos podem ser triturados e voltar como matéria-prima, em vez de seguir para o aterro.
Construções circulares. Edifícios que incorporam materiais e estruturas que seriam descartados, como concreto, louças, metais e pedaços de madeira, recolhidos em zonas industriais ou estoques de resíduos.
Passaporte de materiais. Um catálogo do que existe no edifício: quanto de cada material foi usado e o que pode ser reciclado ou reutilizado. Serve à manutenção do prédio e ao fim da sua vida útil.
Recursos renováveis. A captação da água da chuva conserva um recurso finito, reduz o consumo da rede pública e alivia galerias em dias de enchente. Placas fotovoltaicas convertem a luz do sol em energia elétrica para o próprio prédio.
Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). A ferramenta estima quanto CO2 se deixa de emitir ao reaproveitar elementos estruturais e quanto resíduo se evita com soluções mais eficientes. Rende mais quando é usada nas fases iniciais do projeto, antes que as decisões estejam tomadas.
O que o LLUM fez
O LLUM Batel aplicou parte dessas estratégias entre o projeto e a operação.
Na obra, além dos 75% de resíduos redirecionados, 10% dos materiais usados tinham matéria-prima reciclada, e a madeira tem certificação FSC, de manejo florestal responsável. Auditorias semanais de sustentabilidade acompanharam o canteiro, com controle de erosão, de resíduos e da qualidade do ar. Os materiais escolhidos têm baixa emissão de compostos orgânicos voláteis.
Antes da obra, o desempenho energético do prédio foi simulado em computador ainda na fase de projeto, que é justamente onde a ACV diz que as decisões rendem mais.
Na operação, painéis fotovoltaicos geram 7,6% da energia das áreas comuns, com possibilidade de chegar a 12,2%. O consumo de água do condomínio é 75,5% menor que o padrão de referência do LEED.
No LLUM, a parte circular começou no canteiro, antes de o primeiro morador chegar.
Mais sobre o prédio em LLUM Batel.


