Paisagismo residencial: as 13 araucárias que desenharam o PINAH
Antes de virar prédio, o terreno do PINAH foi o Jardim PINAH: 3 mil m² com 13 araucárias, abertos ao público em outubro de 2020.

Em 17 de outubro de 2020, a Laguna abriu ao público o Jardim PINAH, na Alameda Presidente Taunay, 680, no Bigorrilho. Eram 3 mil m² de terreno com 13 araucárias, abertos todos os dias, no mesmo lote onde depois subiria o PINAH. O projeto paisagístico foi de Felipe Reichmann, que também assina o paisagismo do prédio.
O jardim funcionou como uma prévia. Totens contavam quais árvores seriam plantadas, como seria o bosque e que aves a nova vegetação deveria atrair. André Marin, diretor de incorporação da Laguna, explicou a decisão na época: "O terreno tem uma natureza e um clima ímpares. Por que não oferecer esse espaço para outras pessoas vivenciarem a experiência PINAH?"
O que um projeto de paisagismo resolve

Paisagismo é o desenho da área externa: caminhos, áreas de estar, entradas, serviço. Num residencial, ele é também ferramenta de conforto. A sombra das árvores mantém a temperatura mais agradável, a vegetação ajuda a reter umidade e poeira, e tetos e paredes verdes funcionam como isolante térmico.
Há ainda o efeito sobre quem mora. Viver perto de área verde está associado a menos casos de obesidade, hipertensão, ansiedade e depressão. Um estudo da Universidade de Minnesota com pacientes cardíacos em Nova York observou que ver imagens da natureza e ouvir pássaros, água ou brisa do mar reduzia a ansiedade.
Os paisagistas costumam separar duas escalas. O macropaisagismo trata de parques, praças, rios e rodovias, e o Parque Barigui é o exemplo curitibano mais conhecido. O micropaisagismo trabalha dentro do lote, da varanda do apartamento ao jardim do condomínio. O PINAH é desse segundo tipo.
As araucárias vieram antes do prédio
No PINAH, o desenho começou pelas árvores. O nome é homenagem à pinha, fruto da araucária, e cerca de um terço do terreno de 3.000 m² virou bosque, com aproximadamente 1.000 m². Reichmann descreveu a intenção assim: "Tiramos partido de um grande espaço, composto por belíssimas araucárias. Nossa intenção é transformar parte do PINAH num verdadeiro bosque com a introdução de espécies características da Mata de Araucária que atraiam principalmente a avifauna."
O plantio incluiu árvores nativas frutíferas para trazer gralha-azul, beija-flores e tucanos. Ao lado do bosque ficam a horta e o pomar dos moradores. As araucárias também ditaram a fachada: a proposta do paisagismo do jardim e do prédio era que elas e a natureza do terreno fossem o centro do projeto.
Uma cidade de bosques particulares
O PINAH não é caso isolado em Curitiba. Em 2020, a cidade contava 27 bosques urbanos particulares preservados, que somavam 361 mil m². São áreas verdes em terreno privado que, num residencial, deixam de ser vista e passam a fazer parte da rotina de quem mora ali.
O PINAH foi entregue em 2024, com as 13 araucárias no lugar. Veja o prédio em PINAH.


