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Os cinco pontos de Le Corbusier, lidos no ROC Batel

Planta livre, fachada que se move e térreo sem muro: o que o ROC Batel, na Rua Francisco Rocha, 165, guarda dos cinco pontos de Le Corbusier.

Os cinco pontos de Le Corbusier, lidos no ROC Batel

Em 1926, Le Corbusier fixou os cinco pontos de uma nova arquitetura: pilotis, planta livre, fachada livre, janela em fita e terraço-jardim. Quase um século depois, na esquina da Rua Francisco Rocha, 165, com a Avenida Visconde de Guarapuava, no Batel, o ROC Batel retoma dois deles quase ao pé da letra e reinterpreta outros dois. O quinto ficou de fora, e a razão diz muito sobre Curitiba.

Os cinco pontos

Torre do Llum com fachada de estrutura branca vista entre prédios de Curitiba

Os cinco pontos nasceram de uma mudança técnica. Com a estrutura apoiada em pilares, a parede deixou de sustentar o prédio, e o arquiteto ganhou liberdade em cinco frentes:

Planta livre: o Open Plan

O ROC foi organizado pelo conceito que a Laguna chamou de Open Plan. São 31 residências de 104 a 314 m², com plantas abertas que o morador monta com ou sem paredes. O pé-direito livre tem pelo menos 3 metros em todas as unidades e chega a 6 metros nas que têm pé-direito duplo.

"A Laguna trabalhou para entregar residências para viver e morar, em vez de apartamentos com plantas padrão", disse a arquiteta Fernanda Marques, autora dos interiores. É a planta livre de 1926 transformada no argumento central de um prédio.

Fachada livre: a pele que se move

O projeto de arquitetura é do escritório Baggio & Schiavon. A fachada tem painéis metálicos móveis em tons de cobre, que abrem e fecham para controlar sombra e luz natural. Uma fachada que muda ao longo do dia só existe quando ela não carrega o prédio. É o princípio da fachada livre posto em movimento.

As esquadrias de alumínio, com vidros laminados ou insulados escolhidos por simulação energética, vão do piso ao teto nas suítes e nas áreas sociais. Le Corbusier esticava a janela na horizontal. O ROC a levou à altura inteira do cômodo.

O térreo aberto, por outro caminho

Le Corbusier levantava o prédio sobre pilotis para devolver o chão à cidade. O ROC chega a uma ideia parecida sem levantar nada: não tem muro nem grade. O nome é sigla de Residence Open Concept, e a referência declarada foi o High Line, o parque linear de Nova York.

Sem muro não quer dizer sem proteção. O prédio tem porte-cochère, eclusa social e de serviço, guarita blindada e fechadura biométrica na porta principal.

Onde o ROC se afasta

O terraço-jardim não aparece na cobertura. O verde do ROC está no chão, em volta de uma araucária preservada no terreno, com pocket park, passarela suspensa, floreiras e quedas d'água. Para manter a árvore, o subsolo das garagens foi adaptado.

Em Curitiba, a troca faz sentido. Uma araucária adulta preservada no térreo vale mais que um jardim novo plantado no topo.

Veja o prédio em ROC Batel.

Março de 2023Todos os posts
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