Horta no prédio: da laje verde à horta do ROC Batel
No ROC Batel, a horta dos moradores fica no pocket park, ao lado de uma araucária preservada. Como funciona uma horta urbana, da laje ao condomínio.

No ROC Batel, na Rua Francisco Rocha, 165, a horta dos moradores fica no pocket park, o miniparque do térreo, ao lado da araucária preservada no terreno e da passarela suspensa que a contorna. É ali que quem mora no prédio planta os temperos que vão para a cozinha.
Num prédio de 31 residências no Batel, o detalhe diz muito. Numa cidade onde a casa com quintal ficou rara, a horta precisa de um lugar previsto no projeto, ou simplesmente não acontece.
Quando não há quintal

A horta caseira sempre foi coisa de quintal. Nos centros urbanos, o quintal encolheu ou sumiu, e a vontade de plantar costuma ficar sem endereço. As soluções que apareceram foram duas: subir a horta para a laje ou descer para uma área comum do condomínio.
Como se faz uma horta na laje
Um projeto da ECRA, empresa de engenharia em sustentabilidade urbana, mostra as contas de uma laje verde residencial. Numa casa, a família trocou telhas e cimento por uma laje verde de 24 m². Nela foram instalados um gramado de grama esmeralda, sobre 5 cm de substrato, e uma horta de 6 m², sobre 10 cm de substrato.
A diferença de espessura é a parte técnica que importa: grama vive com pouca terra, hortaliça precisa de mais. Antes de plantar, a empresa perguntou à família o que ela mais comia e distribuiu as espécies conforme o tempo de crescimento e o espaço. Entraram couve, repolho, alface roxa e crespa, almeirão de corte, rúcula, escarola, acelga chinesa e mostarda.
Segundo Amir Musleh, CEO da ECRA, a combinação entre o ciclo das plantas e uma tecnologia própria de substrato permite começar a colher em menos de 30 dias. O manejo é semanal.
A horta como área comum
Num prédio, a laje nem sempre está disponível, e a horta individual de cada apartamento é pequena demais para render. A saída do ROC foi tratar a horta como área comum, dentro do paisagismo.
O pocket park do ROC é uma referência a Nova York, dos miniparques encaixados entre prédios. Ali estão a araucária preservada, protegida por uma grade que remete à Ópera de Arame, um painel com floreiras e quedas d'água, um lounge com lareira ecológica, espreguiçadeiras e a horta. O morador desce, colhe o tempero e volta para a cozinha do apartamento.
A escolha tem lógica de uso. Temperos são as plantas que mais se colhem e as que menos espaço pedem. Uma horta de temperos no térreo é usada todo dia. Uma horta de couve na cobertura, talvez não.
Por que isso entra no projeto
Uma horta coletiva só funciona se tiver sol, água por perto e um caminho fácil a partir das casas. São decisões de projeto, tomadas junto com o paisagismo, que no ROC é de Felipe Reichmann. Colocar a horta perto da araucária e do lounge fez dela parte do percurso de quem usa o térreo, e não um canteiro esquecido no fundo do terreno.
O ROC está entregue, e a araucária, a passarela e a horta seguem no mesmo pocket park da Rua Francisco Rocha.
Veja o prédio em ROC Batel.


