Decoração industrial: dos galpões de Nova York ao ROC Batel
Brick, concreto, pedra e metal em tons terrosos: como a decoração industrial nasceu nos galpões de Nova York e aparece nos interiores do ROC Batel.

A decoração industrial nasceu nos Estados Unidos, nos anos 1970, quando galpões vazios em regiões de Nova York passaram a ser usados como lofts residenciais. Em Curitiba, o ROC Batel, na Rua Francisco Rocha, 165, levou esse vocabulário para um prédio novo, num bairro que também já foi industrial.
O que define o estilo
O ponto de partida é o próprio galpão: pé-direito alto, janelas grandes, estrutura à mostra. Daí vêm os quatro traços do estilo. Ambientes integrados, muita luz natural, materiais com textura bruta e uma paleta sóbria.
No ROC, os interiores misturam brick (o tijolo aparente), concreto, pedra e metal, em tons terrosos, com luz natural abundante e ambientes integrados. É a mesma lista, aplicada a um residencial de 31 unidades.
Integração de ambientes
Nos galpões, ninguém construía corredor. A casa era um espaço só, e os usos se organizavam pelo mobiliário. Na decoração industrial atual, a integração pode vir da planta original ou de uma reforma que tira paredes.
O ROC tomou o primeiro caminho. O prédio adota o conceito Open Plan: cada residência pode ser montada com ou sem paredes. O vidro ajuda a costurar os ambientes, porque deixa a luz passar e mantém a continuidade visual, e as esquadrias do piso ao teto nas suítes e áreas sociais levam a paisagem para dentro.
Iluminação
Luz natural é marca do estilo porque os galpões tinham janelas enormes. No ROC, o pé-direito livre de pelo menos 3 metros, e de até 6 metros em algumas unidades, faz o mesmo papel.
Na luz artificial, o repertório industrial é conhecido: lâmpadas de filamento, pendentes, trilhos. Luminárias de mesa funcionam bem contra uma parede de tijolo aparente, porque a luz rasante destaca a textura.
Acabamentos e revestimentos
A assinatura da decoração industrial está nos materiais deixados como são: tijolo, cimento queimado, concreto aparente, aço. Canos, vigas e tubulações aparentes entram como parte do desenho, e não como algo a esconder.
No ROC, o metal aparece também do lado de fora. A fachada tem painéis metálicos móveis em tons de cobre, que cada morador ajusta para controlar a luz e a privacidade. É o elemento industrial mais visível do prédio.
Paleta de cores
A base é neutra: branco, preto e cinza, este último lembrando o cimento queimado. Para não deixar o ambiente frio, entram a madeira e o caramelo do couro. Uma peça de cor viva pode marcar um ponto específico da sala.
Nos móveis, metal prateado ou dourado e madeira equilibram o bruto e o moderno. Os tons terrosos usados no ROC seguem essa regra: a parede pode ser crua, desde que algo na sala aqueça.
Por que o estilo durou
Passados cinquenta anos dos primeiros lofts, a decoração industrial continua em projetos novos porque se apoia em coisas que não saem de moda: espaço, luz e material verdadeiro. No ROC, essas três coisas foram resolvidas na arquitetura, antes de qualquer móvel.
Veja o prédio em ROC Batel.


