Fachada translúcida: o policarbonato da Galeria Laguna
A Galeria Laguna, na Avenida do Batel, 1713, é fechada por policarbonato alveolar: luz difusa de dia e efeito lanterna à noite.

A Galeria Laguna, na Avenida do Batel, 1713, é fechada por placas de policarbonato alveolar fornecidas pela Danpal, empresa israelense. O projeto é do Estúdio 41, tem mais de 1.000 m² de área construída e foi aberto ao público em 24 de setembro de 2022. De dia, o volume filtra a luz. À noite, vira uma caixa de luz na avenida.
O que é uma fachada translúcida
Fachada translúcida é uma pele de painéis leves aplicada por fora do edifício, quase sempre de policarbonato em microcélulas. Ela deixa a luz passar sem mostrar o que está dentro. O resultado é uma claridade difusa, sem o ofuscamento do vidro transparente e sem a sombra da parede cega.
Três razões explicam o uso:
- Luz: a claridade entra espalhada e reduz a necessidade de lâmpada acesa durante o dia.
- Temperatura: as camadas de ar dentro do painel funcionam como isolante. Quando a pele fica afastada da parede, o vão entre as duas ventila e evita o acúmulo de ar quente na fachada.
- Vedação: os sistemas de encaixe dos painéis impedem a entrada de água.
À noite a lógica se inverte. A luz de dentro atravessa a pele e o prédio passa a iluminar a rua, no que os arquitetos chamam de efeito lanterna.
Como a luz trabalha lá dentro
No interior, o Estúdio 41 usou formas puras, pé-direito duplo e vidro acidato, que deixa a luz entrar e corta a vista direta. As áreas envidraçadas são amplas, e a pele translúcida espalha a claridade até o fundo dos ambientes.
A luz artificial entra para completar. A iluminação é toda em LED e controlada por fotossensores: em dia claro, as lâmpadas ficam apagadas; conforme a claridade cai, elas acendem aos poucos, sem salto de intensidade. O projeto luminotécnico considerou controle de brilho, ofuscamento e reprodução de cor em todos os ambientes.
A luz trabalha junto com o ar. A Galeria tem renovação automática de ar e ventilação cruzada, com sensores que medem CO2, conforto térmico e qualidade do ar em tempo real. Por dentro e por fora, jardins, plantas, madeira e pedra completam o desenho biofílico, e a claridade filtrada pela fachada chega até eles.
A pele na conta de energia
A fachada faz parte de um desempenho que foi medido. O consumo de energia da Galeria é cerca de 34% menor que o de um edifício convencional, e toda a energia da operação vem de placas solares na cobertura. Em 2022, o prédio somou 103 pontos no LEED Platinum, a maior pontuação LEED já registrada, segundo a Laguna.
O policarbonato não fez isso sozinho. Sem ele, a luz natural não chegaria tão longe dentro do prédio, e as lâmpadas passariam mais horas acesas.
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