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Materiais aparentes na arquitetura: madeira, alumínio e cimento

Do brutalismo dos anos 1950 à fachada do AMPIO, no Bigorrilho: por que a Laguna deixou madeira, alumínio e cimento à mostra.

Materiais aparentes na arquitetura: madeira, alumínio e cimento

Madeira, alumínio e cimento aparente. São esses os três materiais que desenham a fachada do AMPIO, o residencial de duas torres que a Laguna entregou em 10 de dezembro de 2024 no Bigorrilho, em Curitiba, com projeto arquitetônico de Ricardo Amaral. Nenhum deles está escondido atrás de tinta ou de revestimento que imite outra coisa.

A escolha tem uma história longa na arquitetura. Vale entender de onde ela vem antes de olhar para o prédio.

De onde vem o material aparente

A estética do material à mostra nasce do brutalismo, nome que, entre 1950 e 1970, passou a classificar as construções que usavam os materiais em estado bruto. O movimento levou adiante um recurso que Le Corbusier já empregava, o concreto aparente, e fez dele a sua marca mais reconhecível.

A proposta era renunciar ao excesso. Em vez de cobrir a estrutura, mostrar o material como ele é, com as suas marcas e imperfeições. Vidro, aço, tijolo, madeira e concreto foram os elementos centrais dessa arquitetura, que dava à utilidade da construção o mesmo peso que dava à forma.

Do brutalismo, a arquitetura de hoje guardou menos o peso do concreto e mais a franqueza. O material assume o que é.

O que o material aparente entrega

A primeira razão é estética. Quando o acabamento fica exposto, a relação entre o espaço e quem o ocupa fica mais direta, e a escolha passa a depender de materiais duráveis, porque não há nada por cima para disfarçar.

A segunda é desempenho. Vidro e madeira, dois materiais frequentes nessa linguagem, ajudam no conforto quando bem especificados. Vidros laminados e insulados controlam a entrada de sol e reduzem a passagem de som. A madeira tem baixa condutividade térmica e funciona como isolante natural, o que deixa os interiores mais estáveis em temperatura.

A terceira é versatilidade. Um acabamento sóbrio aceita cores, texturas e mobiliário de linhas muito diferentes sem brigar com eles. Quem decora ganha liberdade.

Como isso aparece no AMPIO

No AMPIO, a fachada é feita de linhas retas e sóbrias, com brises fixos e móveis que dão movimento ao volume e servem a uma função concreta: controlar a luz. A arquitetura do prédio é guiada pelo sol. A Torre Sole fica a leste, voltada para o nascente, e a Torre Luna a oeste, para o poente. Os brises deixam o morador decidir quanta luz entra.

O cimento aparente e o alumínio formam a base neutra. A madeira entra para aquecer o conjunto. No salão gourmet, que acomoda 28 pessoas sentadas, vidro, madeira e acabamentos aparentes dividem o mesmo ambiente.

O vidro, aqui, não é só transparência. As esquadrias vão do piso ao teto, com vidros laminados ou insulados e alto desempenho térmico e acústico. Por trás do que fica à vista, as unidades têm paredes duplas em drywall com isolamento acústico e manta acústica nas lajes. O material aparente convive com uma camada de desempenho que ninguém vê.

Suíte com cobogó, closet e painéis de madeira

A mesma linguagem segue para dentro das residências. Na suíte master da Torre Luna, os acabamentos aparentes ficam à mostra. Suítes e banheiros têm piso aquecido, detalhe que pesa no inverno de Curitiba. O projeto de interiores é da Alencar Arquitetura.

Uma fachada que não precisa de ornamento

São 30 residências em duas torres de seis pavimentos, no ponto mais alto da Rua Euclides da Cunha. O prédio marca o seu lugar na rua com o que ele é feito: madeira, alumínio, cimento e brises que se movem conforme o sol.

Mais sobre o prédio em AMPIO.

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