Orientação solar: por que as torres do AMPIO se chamam Sole e Luna
No AMPIO, a Torre Sole fica voltada ao nascente e a Torre Luna ao poente. A orientação solar decidiu a implantação, a fachada e a energia.

No AMPIO, residencial da Laguna no Bigorrilho, em Curitiba, os nomes das torres são uma planta de implantação. A Torre Sole fica a leste, voltada para onde o sol nasce. A Torre Luna fica a oeste, voltada para onde ele se põe. A orientação solar decidiu o desenho do prédio antes de qualquer acabamento.
O que é orientação solar
Orientação solar é a forma como a luz do sol incide sobre uma construção ao longo do dia e do ano. A intensidade depende da posição geográfica do edifício e da face que se olha.
No Brasil, os raios solares tendem a ser mais fortes nas faces norte e oeste das construções. Nas faces leste e sul, incidem com menos intensidade. O sol da manhã, que bate a leste, é mais brando; o da tarde, a oeste, chega mais quente.
Essas coordenadas orientam escolhas de projeto: quantas aberturas, de que tamanho, em que fachada; como se distribuem os volumes; onde vão os quartos e onde vão as salas. Bem usada, a orientação solar melhora a luz natural, o conforto térmico e até a conservação dos móveis, que desbotam menos longe do sol direto.
Controlar o sol
Receber sol é bom até o ponto em que vira calor ou ofuscamento. Brises, beirais, marquises e persianas regulam a incidência de luz e a troca de temperatura, para que cada ambiente receba a quantidade certa.
A lógica funcional ajuda. Escritórios, quartos e salas ganham com o maior aproveitamento da luz natural durante o dia, desde que haja sombreamento quando o sol aperta. Conforto térmico afeta a disposição e a qualidade do sono; a luz regula o relógio biológico.
Sol e energia
Estratégias passivas, como orientação, sombreamento e vidros de bom desempenho, reduzem a necessidade de ar-condicionado e de luz artificial. O prédio gasta menos energia para operar e emite menos CO2.
Como o AMPIO usou o sol
O terreno do AMPIO é plano e fica no ponto mais alto da Rua Euclides da Cunha. No alto, recebe luz aberta, e o projeto pôde tratar o sol como matéria-prima.
A implantação em duas torres, uma a leste e outra a oeste, dá a cada uma um tipo de luz. Quem mora na Sole recebe a manhã; quem mora na Luna, a tarde e o pôr do sol.
Na fachada, painéis fixos e móveis tipo brise permitem que cada morador regule a luz que entra. Marquises e jogos de volume completam o sombreamento. As esquadrias vão do piso ao teto, com alto desempenho térmico e acústico e vidros laminados ou insulados.
O telhado também trabalha. Painéis fotovoltaicos geram energia renovável para parte do consumo das áreas comuns.
A luz certificada
O AMPIO foi projetado para a certificação WELL, que tem uma categoria dedicada à luz. O critério avalia o uso da iluminação em favor da saúde visual, circadiana e mental, e orientou a entrada de sol nos interiores.
O AMPIO foi entregue em 10 de dezembro de 2024. Mais em AMPIO e Certificação WELL.


